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SBCE: gestão de carbono na mineração e siderurgia

A implantação do SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões) tornou a gestão do carbono um desafio estratégico para indústrias de mineração e siderurgia. Com a Lei 15.042/2024, o Brasil instituiu o primeiro mercado regulado de carbono do país. Setores intensivos em emissões, como mineração e siderurgia, terão de agir rápido para atender às novas exigências ambientais. Empresas deverão mensurar e reportar seus gases de efeito estufa com precisão, não apenas por obrigação legal mas também para manter competitividade. Dados confiáveis e auditáveis deixarão de ser opcionais e passarão a ser fundamentais nas decisões de investimento e estratégia empresarial.

Fábrica industrial com chaminé alta representa setores de alta intensidade de carbono como siderurgia e cimento.

Urgência do SBCE para mineração e siderurgia

O SBCE vai além da questão ambiental: ele cria custos diretos para emitir carbono. Empresas brasileiras com mais de 10 mil tCO₂e/ano precisam elaborar inventários de emissões, e acima de 25 mil tCO₂e/ano passarão a comprar cotas (CBE) e podem usar créditos de redução (CRVE). Isso significa que mineradoras e siderúrgicas serão reguladas nos próximos anos, sob cronograma gradual até 2030.

No cenário atual, esses setores já sentem a pressão. Investidores, clientes e o próprio governo cobram transparência: relatórios com dados ambientais verificados e auditáveis serão exigidos. Em Minas Gerais, por exemplo, destaca-se que tanto a mineração quanto a siderurgia estão “pressionados a comprovar suas emissões de CO2”, o que pode impulsionar investimentos ao fortalecer a credibilidade climática dessas empresas. Assim, antecipar-se ao SBCE não é opcional: empresas que começam já terão vantagem competitiva em eficiência, riscos e acesso a mercados.

Benefícios de uma gestão de carbono estruturada

Empresas que constroem desde já uma gestão estratégica do carbono ganham em diversas frentes. Entre os principais benefícios estão:

  • Eficiência de custos: identificação de alavancas para reduzir emissões e evitar gastos desnecessários na apuração de dados e compra de créditos.
  • Redução de riscos: menos vulnerabilidade a penalidades regulatórias; dados consistentes evitam inconsistências que podem levar a multas ou revisões desfavoráveis em auditorias.
  • Vantagem competitiva: com dados confiáveis, a empresa pode direcionar investimentos de forma mais inteligente e comunicar seu desempenho climático positivamente. No novo mercado regulado de carbono, empresas preparadas terão vantagem em negociações comerciais, inclusive no exterior.

Em resumo, uma gestão bem-feita do carbono gera “mais clareza para decisões de CAPEX e eficiência operacional, maior confiabilidade para relatórios e auditorias, redução de riscos regulatórios e melhor posicionamento estratégico”

Operações de mineração a céu aberto: setores de extração pesada, como mineração e siderurgia, são priorizados no SBCE.

O que é o SBCE e como ele funciona

O SBCE é um modelo de cap-and-trade: o governo define um teto de emissões por setor e emite Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) para empresas. Quem emitir menos pode vender cotas excedentes, e quem ultrapassar as metas deve comprar créditos extras ou apresentar Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE). Emissões acima do teto geram custo financeiro, enquanto reduções comprovadas podem virar receita.

A lei estabelece que, em 2025-2026, instalações acima de 25 mil tCO₂e/ano já façam inventário e plano de monitoramento (fase de reporte). Em 2027-2028, empresas de 10 a 25 mil tCO₂e/ano entram no sistema, iniciando metas setoriais de redução. De 2029 em diante, o mercado de carbono operará plenamente. Os setores incluídos no SBCE são justamente os de alta intensidade de carbono: siderurgia, cimento, energia termelétrica, mineração, papel e celulose, alumínio, química, vidro, petróleo e gás. Por enquanto, setores como o agronegócio primário ficam fora nessa fase inicial.

SBCE e CBAM: conexão estratégica

O SBCE não é só nacional. Ele se alinha a exigências globais, como o CBAM europeu (mecanismo de ajuste na fronteira de carbono da UE). Empresas brasileiras que pagarem carbono dentro do SBCE poderão abater esse custo do CBAM ao exportar para a Europa. Isso gera um duplo incentivo: empresas que anteciparem a conformidade interna com o SBCE reduzirão sua exposição ao CBAM, mantendo seus produtos competitivos no exterior.

MRV e ferramentas de gestão de carbono

Para atender ao SBCE, é essencial implementar um sistema robusto de Mensuração, Relato e Verificação (MRV) de emissões. O MRV funciona como a infraestrutura de dados do programa climático de uma empresa: permite saber onde e quanto se emite, quais processos são mais intensivos e onde investir em descarbonização.

Um MRV bem estruturado integra indicadores confiáveis, governança de dados e auditoria. Isso significa mapear emissões nos três escopos (diretas, indiretas de energia e demais cadeias) segundo padrões reconhecidos (como o GHG Protocol), definir responsabilidades internas e adotar ferramentas automatizadas sempre que possível. Com esses dados, a empresa pode simular cenários de redução, traçar roadmap de metas e até ganhar receita vendendo cotas excedentes no SBCE.

Como se preparar para o SBCE

Para se adequar ao SBCE, as empresas devem seguir passos claros:

  1. Inventário de emissões: mapear todas as fontes de GEE (escopos 1, 2 e 3) para compreender a pegada de carbono. O inventário anual é exigido por lei para instalações acima de 10 mil tCO₂e.
  2. Plano de Monitoramento (MRV): estabelecer metodologias e cronogramas para coleta e cálculo de emissões. Documentar processos e usar tecnologia de apoio garantem consistência e rastreabilidade.
  3. Redução de emissões: identificar oportunidades de eficiência energética, substituição de insumos por fontes renováveis, otimização de processos, e compensações com projetos de redução (CRVEs). Assim, a empresa pode gerar excedentes de cotas ou diminuir a compra de créditos, melhorando a situação financeira no SBCE.
  4. Estratégia de trading: avaliar o preço da tonelada de carbono, decidir quando comprar ou vender cotas (CBE) e como usar créditos de redução (CRVEs) para cumprir metas de forma econômica.
  5. Preparação para auditoria: garantir que todos os dados e relatórios tenham registros claros, para verificação por terceiros. O SBCE exigirá auditorias independentes das emissões reportadas.

Vantagens competitivas da gestão de carbono

As empresas que já adotam essas práticas transformam a obrigação legal em vantagem. Ter um sistema de carbono integrado na governança e na tomada de decisão gera resultados desde cedo: clareza no direcionamento de investimentos (CAPEX), eficiência operacional e maior confiança de investidores e clientes. Além disso, reduz-se o risco de multas e a exposição a flutuações regulatórias. No longo prazo, a agenda climática deixa de ser apenas um item de compliance e se torna um instrumento de inovação e vantagem competitiva.

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